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Romance sobre a construção da nova sociedade angolana. Retrata a agonia dos novos burgueses: o passado. De finanças asseguradas, estes burgueses correm, agora, um risco: que lhes profanem as campas onde jazem seus passados não-nobres. Félix Ventura. Eis o nome que os pode salvar. Este vendedor de passados engendra genealogias de luxo, memórias e retratos dos seus antepassados. Inventa-lhes a felicidade de uma família. Félix Ventura faz-se acompanhar de uma osga (outrora de feições humanas), de uma governanta e de memórias. Memórias de outros. Memórias que faz suas para as traficar. Feroz epigrama à genuine sociedade angolana, O Vendedor de Passados é, ainda, uma reflexão sobre os truques da memória: às suas verdades. E equívocos: verdades que não são verdades.

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Cale-se! » Daqui de onde estou, no topo do armário, vejo-lhe o crânio iluminado por uma charisma de fúria. Separa-se de Ângela e avança para Edmundo, os punhos cerrados, aos gritos: �Desapareça! Fora daqui! » O ex-agente levanta-se a custo. Ergue-se todo. Atira um olhar de desprezo para José Buchmann, ao mesmo pace que solta uma gargalhada áspera: �Agora não me resta a sombra da dúvida. És tu mesmo, o Gouveia, o fraccionista. No outro dia quase te reconheci pelas gargalhadas. Rias muito nos comícios dos fraccionistas, isso antes do cônsul, o teu patrício, te ter entregue nas minhas mãos. Na prisão só choravas. Choravas muito, bué, bué, tipo mulher. Olho esse choro e vejo o miúdo Gouveia. Vingança – period o que querias? Para isso faz falta paixão. Faz falta coragem! Matar um homem é coisa de homem. » Então, como num bailado lento: Ângela atravessa a cozinha,  passa rente à mesa, com a mão direita recolhe a pistola, com a mão esquerda afasta Félix, aponta ao peito de Edmundo e dispara. O GRITO DA BUGANVÍLIA No quintal, no lugar onde Félix Ventura enterrou o corpo estreito de Edmundo Barata dos Reis, floresce agora a rubra glória de uma buganvília. Cresceu depressa. Cobre já uma boa parte do muro. Debruça-se para o passeio, lá fora, numa exaltação – ou numa denúncia –, à qual ninguém presta atenção. Há dias atrevi-me, pela primeira vez, a sair para o quintal. Escalei o muro com o coração aos saltos. O sol refulgia nos cacos de vidro. Deslizei entre eles, cautelosamente, e espreitei o mundo. Vi uma rua muito larga, em barro vermelho, e casas velhas, fatigadas, desarrumando a outra margem. Pessoas passavam alheias aos gritos da buganvília. Aterrorizou-me o largo céu sem nuvens, o silêncio pesado de luz, um bando de pássaros voando em círculos. Regressei, correndo, à segurança da casa. Talvez volte a sair se entretanto o pace turvar um pouco. O sol atordoa-me, magoa-me a pele, mas gostaria de observar mais demoradamente esse povo que passa. Félix anda triste. Quase não fala comigo. Hoje, todavia, quebrou o silêncio. Entrou em casa, tirou os óculos escuros, guardou-os no bolso inside do casaco, depois despiu o casaco e pendurou-o nas costas de uma cadeira. A seguir abriu a pasta e mostrou-me um envelope pequeno, quadrado, em papel amarelo. �Chegou outra fotografia, vês meu amigo? , ela ainda não se esqueceu de nós. » Abriu o envelope, cuidadosamente, procurando não o rasgar. period uma polaróide. Um arco-íris iluminando um rio. No canto improved direito vê-se a silhueta de um rapaz nu a mergulhar nas águas. Ângela Lúcia escreveu a tinta azul, na margem da fotografia: Plácidas Águas, Pará, e an information. Félix foi buscar uma caixinha de alfinetes, desses pequenos, com cabeças redondas e coloridas. Escolheu um, de um verde intenso, absurdo, e prendeu a fotografia na parede. Depois afastou-se três passos para estudar o efeito. A parede da sala de estar, oposta às janelas, está quase toda coberta por fotografias. O conjunto forma uma espécie de vitral que a mim me recorda as experiências de David Hockney com polaróides.

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